sábado, 10 de novembro de 2007

Se por um acaso a gente se cruzasse
ia ser engraçado.
Você ia rir até amanhecer
eu ia ir até acontecer
de dia um improviso
de noite um farra
a gente ia viver com garra
eu ia tirar de ouvido
todos os sentidos
ia ser tão divertido
tocar um solo em dueto
ia ser um riso
ia ser um gozo
ia ser todo dia
a mesma folia
até deixar de ser poesia
até virar tédio
e nem o meu melhor vestido
seria remédio
daí,
vá ficando por aí
eu vou ficando por aí
evitando, desviando,
sempre pensando
se por acaso a gente se cruzasse...

(Walter Branco e Alice Ruiz)

domingo, 4 de novembro de 2007

Se quer alienar? Aliena direito!


Entre as notícias mais importantes e necessárias ao Brasil, eis que me deparo com a “gostosa” Grazi Massafera, ocupando meia capa do jornal com seus seios siliconados, dizendo ao país que “se ela fosse homem...humm!”. Como é interessante saber que se Grazi fosse homem, ela se masturbaria por ela mesma! E como é necessário a nós, sociedade brasileira, se entreter com frases tão idiotas quanto, para sonhar com aquele lindo abdômen sarado, e aquelas pernas que só 500 mil reais podem trazer.

Se pessoas um pouco mais sensatas, e ainda mulheres, forem criticar a falta de senso crítico da imprensa, para distrair a população com tamanha besteira em meio ao caos do país e tantos outros infortúnios, acusairiam-nos de inveja, calúnia contra a pobre moça emergente. Mas Grazi, não é com você. Só acho que meu povo não chegou ao ponto de estar interessado em suas fantasias sexuais, sendo homem ou mulher, para que isso seja objeto de interesse em uma capa de jornal, e o assunto central de um jornalista ao escrever a matéria da semana.

Por ser uma sociedade classificada “de massa”, regida pelos meios de comunicação de massa que “tecem nossas teias de significados”, somos vítimas de lixos publicitários e jornalísticos, os quais, pensam os donos do poder simbólico, vão ser absorvidos por nós de maneira nua e crua, para se alcançar o real objetivo da mensagem. Nua? Só a Grazi na playboy, porque a dita “massa” sabe modelar muito bem o que quer absorver e entender dos lixos culturais que aparecem por aí.

Portanto, acredito ser muito desespero e falta de profissionalismo da imprensa nacional dar significativa importância para tais besteiras. Vai ver a Grazi nem tem culpa de estar na capa de muitos veículos ao lado de uma frase tão desnecessária e repugnante ao Brasil, que interessa só e somente só a ela, e nós que cuidemos do que deve ser dito ou feito na vergonha que o país se encontra. Se for daí para pior, perco as esperanças não em meu povo, mas em quem possui condições e bases estruturadas para representá-lo neste mundo.

domingo, 28 de outubro de 2007

2007 mais do que nunca!


Esse Tempo que vai...
-Oração ao Tempo-

Es um senhor tão bonito
Quanto a cara do meu filho
Tempo tempo tempo tempo
Vou te fazer um pedido
Tempo tempo tempo tempo

Compositor de destinos
Tambor de todos os ritmos
Tempo tempo tempo tempo
Entro num acordo contigo
Tempo tempo tempo tempo

Por seres tão inventivo
E pareceres contínuo
Tempo tempo tempo tempo
És um dos deuses mais lindos
Tempo tempo tempo tempo

Que sejas ainda mais vivo
No som do meu estribilho
Tempo tempo tempo tempo
Ouve bem o que te digo
Tempo tempo tempo tempo

Peço-te o prazer legítimo
E o movimento preciso
Tempo tempo tempo tempo
Quando o tempo for propício
Tempo tempo tempo tempo

De modo que o meu espírito
Ganhe um brilho definido
Tempo tempo tempo tempo
E eu espalhe benefícios
Tempo tempo tempo tempo

O que usaremos pra isso
Fica guardado em sigilo
Tempo tempo tempo tempo
Apenas contigo e comigo
Tempo tempo tempo tempo

E quando eu tiver saído
Para fora do teu círculo
Tempo tempo tempo tempo
Não serei nem terás sido
Tempo tempo tempo tempo

Ainda assim acredito
Ser possível reunirmo-nos
Tempo tempo tempo tempo
Num outro nível de vínculo
Tempo tempo tempo tempo

Portanto peço-te aquilo
E te ofereço elogios
Tempo tempo tempo tempo
Nas rimas do meu estilo
Tempo tempo tempo tempo

E olha que 2006 foi rápido...mas como corre este ano! Eu pelo menos sinto como se as semanas me escorrecem pelas mãos, e mais do que nunca tenho de aprender a administrar o tempo, a lidar com a falta dele, com a escolha de compromissos e o peso de peder uma hora duas, ou um domingo inteiro.

Uma vez a minha professora de Projeto Gráfico disse, que nestes novos tempos entramos na faculdade muito cedo. Que na sua época, com dezessete anos ela só queria saber de farra!....hahaha, claro que "os jovens" (falou a velha huahuhauhauhauhau) de dezessete anos também não descartam a farra =D , mas se preocupam (ou deveriam, pelo menos) muito mais com o futuro, com o vestibular, com "o que vai ser qndo crescer", com o sustento, se vai ganhar dinheiro ou não. E isso acarreta problemas que podem trazer grandes frustações.
Nós vivemos, dançamos conforme a música e... quando menos esperamos, às vezes estamos em um lugar que nem sabemos o por quê, e qual o motivo que nos levou para sua escolha. Acredito que de 30 pessoas aprovadas no curso de jornalismo, umas 21 devem estar totalmente cientes e satisfeitas de que é isto que elas realmente querem. E isso ainda é muito.
Resumindo, na sociedade moderna um minuto parado são milhões de pessoas profissionalmente passando na sua frente. Uma ano atrasado nos estudos são muito mais que entram no mercado de trabalho mais jovens, e, portanto, com mais vantagens que você. E apesar de toda a mídia indiretamente propagar isto, esta era da alta tecnologia e velocidadede de mercado não é vivida por todos homogeneamente, e mais de 1/3 da população brasileira não estuda, não tem emprego, e vive de miséria.
Absurdo não? Mas é a ferocidade desse mundo capitalista. Mundo que tenta nos agarrar de qualquer jeito, que nos suga de todas as formas. Que exige, exige, e quando não puder nos cobrar mais nada ou tem de pagar mais caro por todos nossos serviços prestados, nos largam feito objeto, máquina velha e usada que não se encaixa em seus projetos comerciais! Logo, tudo isso é refletido e literalmente visto no dia-dia de cada um de nós, prisioneiros deste sistema individualista. Corremos contra o tempo, acordamos sete horas da manhã para irmos à aula, trabalhamos ás duas e estudamos às 10 da noite
Ultimamente, tenho tido sérias crises com meu próprio tempo. crises que me enlouquecem, e me dão vontade de largar tudo que faço para me dedicar a uma só. Porém com ele mesmo vou aprendendo, e ganhando a técnica do PLANEJAMENTO para domá-lo, e fazer com que conforme a minha música, o samba flua de maneira menos feroz, menos massante.
Isso não é se deixar ser dominado. É aprender a lidar com o dominador. Por enquanto.
Dias melhores virão! E eles serão mais longos, com certeza!


domingo, 21 de outubro de 2007

SE não é a melhor peça de teatro que belém viu no ano de 2007


Parte integrante da programação do Circuito Cultural Banco do Brasil, que aconteceu em Belém de 20 a 30 de setembro, a peça de teatro “Eu Sou Minha Própria Mulher”, com Edwin Louisi, surpreendeu com sua versatilidade e dinamismo. O que superficialmente parecia ser estático e cansativo prendeu a atenção das 803 pessoas do Theatro da Paz por quase uma hora e meia de espetáculo. Sem troca de cenário ou figurino, fez com que todos viajassem na história da inusitada Charlotte Von Mahlsdorf, representando diversos personagens sem tirar as longas saias o colar de pérolas.

A peça trata da história verídica de um travesti que vivenciou os dois regimes mais sangrentos da Alemanha, montando e preservando um museu fantástico e mantendo um cabaré clandestino no porão de sua casa. Por isto sua vida desperta a atenção do americano Doug Wright, que decide eternizá-la em uma peça de teatro. A partir daí, Edwin Louisi faz um convite ao espectador e inicia uma aventura onde ilustra toda a vida de Charlotte, sem deixar que se perca um detalhe ou a linha de trajetória do espetáculo.

Bastante descontraído não aparentando cansaço, Edwin nos conta um pouco mais de toda a sua trajetória de trabalho para a montagem da peça. Confira:

  • De onde saiu a idéia de montar um espetáculo retratando a vida de um travesti?

Bem, eu acredito que todo ator procura um texto bom para se trabalhar. Eu soube do texto, que ele foi feito nos Estados Unidos e obteve bastante sucesso, ganhou vários prêmios, então decidi conhecê-lo melhor. Vi que ele realmente tinha muito a ver com meu tipo de atuar, e sobretudo com minha faixa-etária. Então comecei a buscar, e decidi que podia fazer.

  • Nada de especial então com relação ao texto?

Para falar a verdade eu nem conhecia a vida de Charlotte. Não sabia quem era, e fui estudar mais a fundo depois de ver o texto. Saber o que é cada coisa, a história mais detalhada da Alemanha na época, enfim.

  • É impressionante a minuciosidade que é vista na representação de cada personagem, e a exclusividade das ações físicas buscadas em cada um. Esta busca começou de dentro ou foi logo sendo pesquisada fora?

Começou fora e depois foi vindo de dentro, para que cada coisa buscada pudesse se adequar ao personagem sendo criado. Claro, se o personagem é tímido, eu buscarei algo em meu corpo que torne aquele personagem tímido.

  • Quanto tempo levou essa pesquisa e como foi a base para essa coleta de gestos e tipos?

Três meses. Na verdade foi assim: primeiro eu decidi fazer. Li o texto, traduzi, e depois comecei a decorar cada trecho, independente de qualquer coisa, afinal é um calhamaço de texto, e olha que ainda cortamos muita coisa. Cerca de 10 personagens não foram incluídos na montagem. E então, paralelamente a decorar e à medida que eu ia marcando e me familiarizando com a história, eu comecei a buscar tipos, aleatoriamente. Vozes, gestos, etc. Logo eu sabia que se fazia uma voz grave aqui, eu tinha de fazer uma voz aguda ali, até ter na cabeça que se eu tenho uma personagem se relacionando com outra também feita por mim, eu tenho de ter uma mudança que seja perceptível às pessoas. Foi uma matemática de interpretação, que necessitava de muita atenção. Por exemplo, a tia da Charlotte era lésbica, agora imagina botar na cabeça que, como homem, tinha de representar uma mulher e fazer para ela uma voz grave por ser lésbica (risos)! Foi meio louco, e o meu objetivo era fazer com que o público entendesse o código. Eu acabei construindo vários registros, e olha que nem sabia que tinha essa capacidade. Acredito que o fato de estar com 60 anos de idade ajudou muito no sucesso do espetáculo, pois quem sabe se tivesse 40 iria ter maturidade suficiente para encarar a cobrança de experiência, a busca de recursos. E é esse que é o diferencial do ator: ele melhora o seu trabalho com a idade.


TRECHINHOS AO VENTO do pensamento°°°°°°°°°°°°°

"eu sei que um dia essa casinha vai cair,
e eu quero estar,
a mil léguas daí!
Um dia eu sei que a casa vai é desabar.
E eu tenho pena!
De você que vai tá lá!
tá lá tá lá!!
morro de pena,
de você que vai tá lá."
(LiSégio - grande amigo, poeta musiqueiro)
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"escute o que vou lhe dizer,
....
um minuto de sua atenção.
Com minha dor não se brinca
já disse que não.
Com minha dor não se brinca
já disse que não.
E se a dor,
é de saudade.
E a saudade é de matar.
Com o tempo a novidade
vai enfim me libertar!"
(Roberta Sá - novidade)
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"Essa moça é tá diferente
já não me conhece mais
está pra lá de pra frente
está me passando pra trás."
(Chicão - que eu gosto^^)
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"Não
eu não sambo mais em vão.
O meu samba tem cordão
o meu bloco tem sem ter
e ainda assim.
Bem,
sambo bem a dois por mim
sambo e só mas sambo sim
Sambo por gostar de alguém
Gostar de ___(?)
mim´lavra a alma....."
(Belchior - samba a dois)


quarta-feira, 17 de outubro de 2007

°Pesquisa


Ando à procura da letra duma música.
Uma que não fale de amor à moda antiga,
e nem cante devaneios ou casinhos de verão.
Queria encontrar alguma coisa que disesse da vida felizarda de uma amor sem desventuras! Um amor comigo mesma, com pé e com cabeça. Um maor que não me sofre e nem faz ter solidão. Procuro nos velhos poetas e encontro coisas belas! Letras mágicas e brilhantes, que cantam em vidas ocultas amores estonteantes! Mas ainda assim não me encontro. Assim ao certo e ao pé da letra. Nada que cante um amor baixinho sem carregar tanta tristeza. Nenhuma que fale de sentir saudade de maneira calma e sem choradeira. Talvez eu esteja nos poetas errados para o tipo de canção a qual procuro. Canção que fale de vida sozinha, de vida ocupada, complicada e perfeitinha. Mas que tenha também os seus amores! Suas paixões caladas e admiraçõpes distantes. Seus meninos bonitos, seus sonhos futuros, suas pontadas no peito de sentimentos profundos. Mas nada que chore! Nem nada que espante! Já tive esta minha fase de romance e agora só morro se for por mim. ...será que eu encontro (?)

domingo, 30 de setembro de 2007

Saudade

Ao ler certo trecho clichê de Veríssimo, e pensar sobre todas as coisas desse tempo.

"(...)Porque a vida não é certa.
Nada aqui é certo.
O que é certo mesmo, é que temos que viver cada momento, cada segundo.
Amando, sorrindo,chorando, emocionando, pensando, agindo, conseguindo.
E só assim é possível chegar àquele momento do dia,em que a gente diz “Graças a Deus deu tudo certo”.
Quando na verdade,tudo o que Ele quer,é que a gente encontre a pessoa errada,
para que as coisas comecem a realmente funcionar direito pra gente.
Nossa missão é:
- Compreender o universo de cada ser humano,
respeitar as diferenças,
brindar as descobertas e buscar a evolução"

Sobre 28 de setembro.
Infelizmente as coisas andam dando errado, de novo.
Mais uma vez falhou. E dessa vez era pra dar certo
(e realmente levamos a sério)
e quando chegou naquela parte final,
naquela, sabe?!..em que a gente diz sempre que vai mostrar o belo.
as coisas quebram, as outras se apresentam, e acabamos por desperciçar e abandonar quase tudo que se foi construído ao longo de dois meses de superação pessoal
Superação pra mim, e pra ti. E talvez pros ´outros.
Talvez nem seja assim do jeito que a gente pensa.
Talvez nem seja
assim, de um desabafo
Talvez nem fosse pra ser. Nem que seja o que será.
Mas haverá de ser belo.